Por Dr. Jean Queruz · Atualizado em julho de 2026 · 8 min de leitura
Receber o laudo de uma ressonância com a palavra "hérnia" costuma vir acompanhado de um pensamento imediato: "vou precisar operar". Depois de mais de 12 anos atendendo exclusivamente coluna, e mais de 20.000 pacientes, posso dizer com tranquilidade: na grande maioria dos casos, não.
O que acontece com a hérnia ao longo do tempo
O disco intervertebral é o amortecedor que fica entre as vértebras. Quando parte do seu núcleo escapa e comprime uma raiz nervosa, temos a hérnia e os sintomas que ela causa: dor irradiada, formigamento, queimação.
O que muita gente não sabe é que o organismo reconhece esse fragmento como algo a ser removido. Estudos com ressonâncias seriadas mostram um fenômeno chamado reabsorção espontânea: ao longo de semanas e meses, o sistema imunológico literalmente digere parte do material herniado. Em muitos pacientes, a hérnia diminui ou desaparece da imagem, e a dor vai embora junto.
Então é só esperar passar?
Não é bem assim, e aqui mora a diferença entre sorte e tratamento. Enquanto a reabsorção acontece, o paciente precisa de três coisas:
- Controle adequado da dor, para dormir, trabalhar e se mover. Em crises intensas, os bloqueios guiados por imagem aplicam a medicação diretamente na raiz inflamada;
- Reabilitação bem conduzida, porque o movimento correto acelera a recuperação e protege contra recidivas. Repouso absoluto prolongado, aliás, atrasa a melhora;
- Vigilância especializada, porque uma minoria dos casos muda de categoria, e é preciso reconhecer isso a tempo.
Quando a cirurgia entra em cena
A cirurgia é indicada na minoria dos casos, em situações bem definidas:
- Perda de força progressiva na perna ou no braço;
- Síndrome da cauda equina: alteração de sensibilidade na região íntima e do controle da urina ou evacuação. É urgência médica;
- Dor incapacitante persistente, que resiste a semanas de tratamento conservador bem feito e impede a vida da pessoa.
Quando a indicação existe, as técnicas atuais mudaram o jogo: a cirurgia endoscópica remove a hérnia por uma incisão de milímetros, preservando a musculatura, com alta rápida e retorno acelerado.
O que eu recomendo a quem acabou de receber o diagnóstico
Primeiro, respire: o diagnóstico de hérnia não é sentença de cirurgia. Segundo, procure uma avaliação completa com especialista em coluna, com tempo real de consulta, porque é a correlação entre o seu exame físico e a sua imagem que define o caminho. Terceiro, desconfie de dois extremos: de quem oferece cirurgia na primeira conversa e de quem promete cura garantida sem sequer examinar você.
No meu consultório, cada paciente com hérnia entra em um acompanhamento de 30 dias, com retornos ilimitados. Porque a hérnia não se resolve em um encontro único, ela se resolve em um processo bem conduzido.
Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Ele não substitui a consulta médica. Cada caso exige avaliação individual com um especialista, que é quem pode indicar o tratamento adequado. Responsável técnico: Dr. Jean Carlo Frigotto Queruz, CRM-SC 15279, RQE 13267.
Perguntas frequentes
Quanto tempo a hérnia demora para ser reabsorvida? +
O processo costuma acontecer ao longo de semanas a meses, variando com o tipo e o tamanho da hérnia. O acompanhamento clínico monitora essa evolução.
Fisioterapia resolve hérnia de disco? +
A fisioterapia é peça central do tratamento conservador: controla sintomas, recupera função e previne recidivas, enquanto o organismo faz sua parte na reabsorção.
Posso conviver com a hérnia sem tratar? +
Ignorar sintomas persistentes não é boa estratégia: dor crônica se instala e casos com compressão importante podem evoluir com sequelas. Tratar não significa operar, significa conduzir bem.
Hérnia de disco volta? +
O disco operado ou cicatrizado pode herniar novamente, e outros níveis também podem. É por isso que o fortalecimento e os hábitos ensinados na reabilitação são o seguro de longo prazo.
Médico especialista em coluna vertebral · CRM-SC 15279 · RQE 13267. Formação nas universidades de Oxford e Washington. Mais de 20.000 pacientes atendidos em Florianópolis e por teleconsulta em todo o Brasil.